ARTIGO: Síndico não e corrupto

*Estive na homenagem aos síndicos na Câmara Legislativa do Distrito Federal e ouvi diversos síndicos e o presidente da ASSOSÍNDICOS-DF fazer referência a afirmação do Ministro da Justiça de que até os síndicos superfaturam os capachos


Li um texto do jornalista Milton Pires sobre esta afirmativa que refletia exatamente a indignação que senti. Encaminho esse texto e se possível através do Correio do Síndico solicito a publicação, segue o texto.

“Na sexta-feira, dia 21 de novembro de 2014, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou "Vivemos numa sociedade que até o síndico de prédio superfatura quando compra o capacho. E é o mesmo síndico que por vezes sai protestando dizendo ‘esses políticos’. Políticos eleitos por ele". Ele o fez perante vários repórteres e em plena Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Não é minha intenção, neste artigo, fazer a defesa da moral de uma nação inteira. Outros já o fizeram antes e melhor. Não vou, portanto, me dirigir aos que discordam nem tampouco aos que concordam com uma afirmação dessa natureza. Quero aqui escrever para milhões e milhões de brasileiros que formam um número de cidadãos cada vez maior: aqueles que vivem na dúvida... Aqueles que acham que, em certo aspecto, o senhor ministro tem razão no sentido de afirmar que a corrupção é parte da essência desse país. Não me considero capaz de demover de sua convicção os que tem certeza de que isso é mentira nem os que comungam com a ideia de que isso seja verdade. 

Afirmar que uma sociedade inteira tem na corrupção uma manifestação cultural é muito mais do que aceitar o crime... Do que ofender milhões de pessoas honestas ou do que degradar a função de Ministro de Justiça: é retirar, de um número gigantesco de pessoas possivelmente inconformadas, a VONTADE de lutar... É aplicar, de forma magistral, o que foi deixado por Sun Tzu em sua “Arte da Guerra” quando aconselha “dissuadir o inimigo da vontade de luta”.

Só pode fazer a guerra, digo eu, e vencer o inimigo aquele que antes de qualquer coisa sabe da diferença que existe entre si mesmo e outro que deseja ver derrotado. Não há arma capaz de fornecer a um soldado a convicção da diferença entre si mesmo e aquele que se encontra sob à mira do seu fuzil: é pois um ato de vontade... Uma profissão de fé que deve ser feita por cada um no sentido de entender definitivamente que a guerra é feita com as armas mas vencida pelos homens e que antes da morte do corpo fomentar a deserção é a morte da liberdade que deve estimular o engajamento no combate. 

Meus amigos, o Brasil encontra-se diante de forças que combatem pela posse do nosso espírito... Pelo domínio da nossa vontade e pelo controle do nosso próprio desejo de sermos livres. Homens como Cardozo vão surgir de tempos em tempos. Sua meta é uma só: acabar com a nossa vontade de lutar... Liquidar com nossa capacidade de ver diferença entre nós mesmos e eles e unificar, na condição universal da corrupção do partido, a esperança de toda nação. Essa gente surgirá no espaço público misturando verdades com mentiras e fará, como um padre do mal, um apelo para que cada um encontre seus próprios pecados antes de atacar o partido da salvação. É, pois, com a culpa... Com o que há de verdadeiro na histórica e profunda culpa que cada brasileiro de fato deveria sentir antes de clamar por mudança que o Partido Religião há de jogar para impedir que exista qualquer alteração no que está agora acontecendo no país. Sintam, pois, a culpa... Mas não abandonem, eu imploro, a ideia da mudança...

Não é só energia elétrica que há de faltar por causa do PT.. Não são só nossos lares que vão ficar sem luz... É a nossa própria VONTADE de protestar que há de ficar sem destino claro se não conseguirmos enxergar, nós mesmos, uma luz mais forte do que a de um partido que se considera o “caminho da iluminação”. O Brasil está agora na sua hora mais escura... Viva bem no seu condomínio”

*Por Silvia de Horna, Síndica do Condomínio da SQS 315, Bloco J em Brasília DF.

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